HISTÓRIAS DE UM COLECIONADOR - WILSON SIMONETTO

HISTÓRIAS DE UM COLECIONADOR - WILSON SIMONETTO

Mesmo antes de saber ler, já adorava as histórias em quadrinhos. Inicialmente, com a Turma da Mônica e com a Disney, o que ocorreu com muitos da minha geração que aprenderam a ler com essas publicações e, logo em seguida, com os gibis da Marvel, em especial os do Homem-Aranha.

Me divertia muito com as revistas do Pato Donald e do Zé Carioca, que semanalmente, se revezam nas bancas e que eram revistas curtas e rápidas de serem devoradas.

O Zé Carioca, por sinal, sempre foi um dos meus personagens favoritos e primeiramente lia suas histórias. 

Em 1975, quando estava na primeira série, no bairro de Pinheiros, tive a sorte de conhecer o dono de uma banca, próxima a escola que estudava. Ele pedia para eu tomar conta banca, enquanto ele almoçava (como se um garoto de 7 anos pudesse fazer algo...). Um período que serviu para ler muita coisa, especialmente, da Bloch.

Nesse mesmo período, eu ficava até a noite no trabalho do meu pai. Um amigo dele me deu dezenas de gibis, entre eles, muitos Almanaque do Tio Patinhas. Eu passava horas lendo em um quartinho embaixo da escada.

Meus pais me incentivaram a ler, comprando várias revistas, tanto da Disney como de outros personagens, como Mônica, Marvel, DC e outros.

Em uma ida ao supermercado Eldorado, em São Paulo, lembro que vi algumas revistas na prateleira e a que me chamou a atenção, em especial foi: Cinquentenário Disney. Meu pai viu meu interesse, e na hora disse para eu levar. Esse item até hoje é um dos que mais gosto.

Um ponto interessante dos Quadrinhos Disney, ao contrário das outras, naquela época, não identificava os artistas, prática que seria adotada somente muitos anos mais tarde. Mesmo assim, era possível reconhecer grandes artistas como: Carl Barks, Renato Canini e entre outros, que tinham estilos muito marcantes.

As aventuras dos patos feitas por Barks, aliás, sempre me encantaram, por levar a diversas regiões exóticas do mundo, além de incentivarem a ler mais sobre os fatos citados, estilo seguido por Don Rosa, um ídolo que tive oportunidade de conhecer.

Os quadrinhos, no decorrer dos anos, sempre foram fonte de diversão e alegria em minha vida, marcando vários momentos, algo que procuro lembrar sempre que releio alguma revista da minha coleção. 

Nos últimos anos, principalmente em função da internet e eventos, tive a chance de conhecer muitos entusiastas e profissionais do mercado, como o pessoal da ‘Mundo dos Super Heróis’, onde colaborei por um período, colegas de grupos de colecionadores e, meus amigos de ‘O Pastel Nerd’, que proporciona a oportunidade de discutir e compartilhar a paixão em comum.

Um dos momentos mais legais, para mim, foi acompanhar um papo descontraído com o pessoal da redação Disney da Editora Abril: Paulo Maffia, Primaggio Mantovi, Marcelo Alencar e Júlio Andrade Filho, entre eles, que contaram vários casos divertidos daquele período saudoso. Isso aconteceu no também saudoso Festival Guia dos Quadrinhos.

No Festival, também tive a honra de encontrar vários artistas marcantes, como: Carlos Edgard Herrero, Fernando Ventura, Gustavo Machado, Paulo Borges e Manoel Rodrigues Soares e, em 2019, o simpático e talentoso artista italiano Francesco Guerrini.

Mais recentemente, ao ler o excelente e mais que aguardado livro ‘O Império dos Gibis’, dos amigos Manoel de Sousa e Mauricio Muniz, pude relembrar e me emocionar com a trajetória Disney na editora Abril, inclusive com seu final triste, para nós colecionadores.

Após o anúncio de que a Disney iria parar de ser publicada no país, a sensação de perda foi muito grande e, foi com grande alegria que recebi a notícia de que a Culturama iria publicar materiais mensais no país e ainda mais, uma enorme honra ter participado, junto com minha esposa Helena, do evento de anúncio oficial de lançamento da editora, ocorrido aqui em São Paulo, graças ao convite do grande amigo Paulo Maffia. 

Embora não tenha uma coleção tão grande como a de outros colecionadores que conheço, tenho bastante carinho por ela, sabendo do quanto me dediquei para adquirir cada item, seja considerado raro, ou não, e sempre que posso, passo um tempo em meu sótão, para manter a devida organização (uma ótima desculpa para poder reler meus gibis, claro).

Mesmo que, nos dias atuais os quadrinhos não tenham o mesmo apelo que antes, espero que tenhamos sempre mais e mais opções de leitura de uma arte que é uma primeira janela rumo ao conhecimento, seja da Marvel, DC Comics, Tex, Disney, Fumetti, Manga, ou qualquer outro representante, já que é uma arte e só traz benefícios para todos que possam ter a oportunidade de curtir, como também ocorreu com meus filhos Pedro e Anna, que são ávidos leitores de livros.

Finalmente, gostaria de agradecer ao convite do amigo Marcelo Borba e à Culturama, pela oportunidade de participar desse quadro.

Texto por: Wilson Simonetto