Histórias de um Colecionador - Paulo Ricardo Abade Montenegro

Histórias de um Colecionador - Paulo Ricardo Abade Montenegro

Os quadrinhos da Disney têm uma importância crucial na minha vida, afinal, foi com eles que eu aprendi a ler, pouco mais de um ano antes de eu entrar para a escola, no distante 1965.

Meu pai colecionava alguns títulos de quadrinhos na época (não apenas da Disney, mas também publicações da EBAL, como Tom & Jerry, Pernalonga e Pica-Pau, da RGE, como Flecha Ligeira, Águia Negra e Cavaleiro Negro, além de algumas publicações da EBAL/DC Comics, como Batman, Superman e outras). Mas foi com as revistas Mickey, Pato Donald e Zé Carioca que eu me aventurei no mundo das letras, lá em meados dos anos 60. Meu pai tinha (e minha mãe ainda mantém, mesmo depois do falecimento do “velho” Paulo) uma biblioteca considerável. Mais tarde, “devorei” muitos daqueles títulos e autores, sempre incentivado pelos meus pais. Mas os quadrinhos da Disney sempre tiveram um lugar especial no meu coração.

Na minha infância, as histórias do Mickey, de Paul Murry, do Pato Donald e do Tio Patinhas, de Carl Barks, e do Zé Carioca, de Jorge Kato, povoavam a minha imaginação, mesmo que na época eu não fizesse a menor ideia quem eram os autores daquelas histórias. Viajei muito pelo Mundo e, até, por outros planetas, com eles. De longe, porém, o Mickey de Murry é o meu predileto, está no meu Top 5 dos quadrinhos, junto com Batman, Tintim, Tex Willer e Asterix.

Um dos meus maiores orgulhos, enquanto fã do desenhista, é ter o meu nome imortalizado no Sumário do especial da Editora Abril “As Grandes Aventuras de Mickey por Paul Murry”.

Sempre gostei daquelas aventuras longas do Mickey de Murry (hoje sei que eram histórias seriadas, publicadas em 3 partes na Walt Disney’s Comics and Stories). Ainda hoje, na medida do possível, releio aquelas histórias. Entre as minhas preferidas, estão a origem do Vespa Vermelha, as histórias com o Mancha Negra, a trilogia da PI, as aventuras iniciais do Superpateta e as histórias da subsérie “Teatro Disney”, em que Murry alternou os desenhos com Tony Strobl.

De lá para cá, minha coleção cresceu consideravelmente e hoje possuo mais de 7.200 títulos só da Disney (divididos entre as Editoras Abril, Culturama e Panini). Ainda costumo comprar gibis semanalmente, mas a falta de espaço em casa, o alto custo das publicações e certa queda na qualidade das histórias fizeram-me reduzir um pouco essas aquisições.

Voltando à Disney, eu sou um fã confesso dos grandes mestres norte-americanos. Além dos citados Murry e Barks, gosto muito de Tony Strobl, Floyd Gottfredson, Al Taliaferro, Bill Wright, Dick Moores, Jack Bradbury e Al Hubbard, principalmente. Já li e reli tantas histórias de todos eles que hoje consigo identificar, com facilidade, o traço de cada um. Curiosamente, os roteiristas não me chamam muito a atenção, com a honrosa exceção de Carl Fallberg, autor de grandes aventuras, especialmente com o Mickey de Murry.

Ao mesmo tempo, sou um crítico bastante ácido dos quadrinhos Disney italianos. Reconheço que há uma legião de fãs dessas histórias, mas não consigo gostar do traço estilizado dos quadrinhos produzidos na “velha bota” e que foge muito, ao meu ver, dos padrões norte-americanos. Como toda regra tem a sua exceção, gosto bastante da saga “História e Glória da Dinastia Pato”, uma honrosa exceção, eu diria.

Quando foi ventilada a possibilidade, posteriormente confirmada, de a Editora Abril perder os direitos de publicação da Disney no Brasil, confesso que me preocupei. Afinal, a Disney e a “arvorezinha” eram indissociáveis, na minha visão e, além disso, eu não conseguia imaginar o Brasil (na área de quadrinhos) sem a Disney. Mas a Culturama mostrou-se uma boa surpresa (mesmo com a publicação de histórias italianas ... risos ...) e eu desejo que uma nova tradição seja estabelecida e que a nossa “gauchinha” (e caxiense, cidade natal da minha esposa) possa nos brindar por muito tempo, ainda, com as revistas Disney. Afinal, o leitor brasileiro não pode ficar sem os personagens de Patópolis nas bancas.

Quero aqui deixar meu agradecimento à Editora Culturama, pelo convite para que eu pudesse contar um pouco da minha história de fã e colecionador, e à Rafa, pelo gentil contato, desejando, sempre, vida longa e próspera aos Quadrinhos Disney no Brasil!!!

 

Texto por: Paulo Ricardo Abade Montenegro