Histórias de um Colecionador - Edilson Gomes Rodrigues

Histórias de um Colecionador - Edilson Gomes Rodrigues
O meu interesse por quadrinhos começou aos 7 anos (1979) quando li um gibi do Mickey que era dos meus irmãos, o Mickey 319. Lembro até hoje da primeira história, o Pateta jogando um aviãozinho de papel na cabeça do Mickey. Esse momento marcou a minha vida, pois comecei a me interessar muito por quadrinhos mas ainda não tinha nenhum, apenas pegava emprestado dos meus irmãos.
Em 1984, aos 12 anos, ainda não tinha nenhum gibi mas meus amigos tinham e sempre pegava emprestado para ler, no entanto, queria começar a ter os meus próprios. Com isso, comecei a juntar latinhas para vender e arrecadar dinheiro para comprar gibi e Tubaína. Comecei comprando Zé Carioca, depois, comprei Donald, Mickey e Tio Patinhas. Sonhava em comprar aqueles grandes, Disney Especial, mas achava que só ricos podiam ter aqueles.
Pouco a pouco, a coleção foi aumentando e em 1985 eu tinha 200 gibis. Na vila, eu era conhecido como o menino que gostava muito de quadrinhos e era referência no assunto. Em casa, minha mãe reclamava que não tinha muito espaço pra guardar e então dividia a estante com os livros de escola dos meus irmãos, gostava muito de ler os quadrinhos e guardar todos.
No início dos anos 90, comecei a comprar menos por causa de gastos com os estudos, apesar disso, sempre que possível, reservava um pouco do salário do meu primeiro emprego ou trocava uma passagem de ônibus por uma caminhada para economizar e poder adquirir mais gibis. Como tinha que comprar as coisas da casa também, muitas vezes, pulava alguns números e a coleção ficava incompleta.
Quando casei, parei de comprar gibi, deixei todos guardados no guarda-roupa e em 1995, quando minha filha nasceu, coloquei na minha cabeça que aquele seria o legado que eu ia deixar pra ela. Fiquei quase 20 anos sem comprar nenhum , até que em 2013 no meu aniversário, a minha filha me presenteou com um gibi e escreveu num cartão: Pai, volte a colecionar gibi. Te amo!
Diferente da minha filha, em 2015 a minha esposa queria que eu vendesse todos pois ela reclamou do espaço que eles ocupavam no guarda-roupa. Vendi alguns, porém, no mesmo ano comprei um gibi de Natal e percebi que não fazia sentido desfazer daqueles quadrinhos, as histórias fizeram e fazem parte da minha trajetória. Escolhi então um novo desafio: completar as coleções que deixei paradas por tanto tempo.
Hoje, sou assinante da Culturama e gosto muito das histórias, também sou integrante do grupo Disneyanos, que possibilitou um encontro com outros colecionadores que admiro. Agora, tenho mais de 3500 gibis e estou praticamente completando a coleção do Disney Especial, que parecia ser um sonho distante na adolescência.  Pelos números, posso não ser um grande colecionador, contudo, sou um grande sonhador e vejo os quadrinhos como uma forma de incentivar a leitura e sempre que posso presenteio crianças com gibis.
Apesar dos diferentes contratempos, hoje, sou grato por esse carinho aos quadrinhos que continua vivo em mim. Além disso, sou grato a minha filha que também é leitora de quadrinhos, e me deu o empurrãozinho necessário para a continuidade desse sonho.
 
Texto por Edilson Gomes Rodrigues