Histórias de um Colecionador - Claudio Jurischka

Histórias de um Colecionador - Claudio Jurischka

Aos 5 anos, antes mesmo de começar a ir para a escola, ganhei alguns gibis Disney, sem capa e até faltando páginas. Fiquei maravilhado com aqueles desenhos coloridos e a dinâmica das histórias, mesmo sem entender nada do que aqueles balõezinhos significavam. Ficava perturbando meus irmãos para me dizerem o que estava escrito e, de tanto perturbá-los, já conseguia ler boa parte daquilo antes mesmo de pisar em uma sala de aula.

Algum tempo depois, ganhei meu primeiro gibi propriamente dito. Foi o Natal Disney de Ouro 4, então o Natal sempre me traz um sentimento de nostalgia ligado as histórias Disney. Ele ainda está comigo e considero ele “minha moedinha nº 1” da coleção que hoje é bemmmm grande. 

Nos quadrinhos, aos poucos fui lendo cada vez mais em quantidade e variedade, virando fã de muita coisa e colecionador de praticamente tudo, mas Disney sempre foi uma paixão a parte, maior, mais profunda. 

As histórias em quadrinhos acabaram me tornando um grande curioso e passei a ler compulsivamente, gibis, revistas semanais e livros, muitos livros... O pessoal da Biblioteca Municipal de Curitiba já me conhecia pelo nome, de tanto tempo que eu passava em meio as estantes e debruçado nas mesas lendo por horas a fio.

Quando falo da minha coleção, gosto de me comparar ao Tio Patinhas, pois, assim como ele conhece cada moeda que tem, cada um dos meus gibis tem uma história própria, algumas bem interessantes, outras mais banais, mas dificilmente pegar uma das revistas na mão não vai me remeter a algum momento do passado. Isso é algo que só quem coleciona entende. Essa ligação, essa química que as revistas ativam em nosso cérebro, não tem muito como explicar, mas é muito gratificante e, para mim, pelo menos, é essencial na minha vida.

Com a chegada da internet acabei descobrindo que não estava só, que existiam outros apaixonados por quadrinhos, outros apaixonados por Disney e entre grupos de e-mail, Orkut, fóruns e, agora ainda mais fortemente, pelo Facebook, acabei conhecendo muitos amigos (alguns até de fora do país) que compartilham do mesmo entusiasmo pelos quadrinhos.

Com essa “internacionalização” acabei também adquirindo quadrinhos Disney de outras partes do mundo, buscando novidades onde pudesse... Portugal, Estados Unidos, Alemanha, Itália.... Cheguei a comprar um grande lote de Topolinos para traduzir do italiano histórias como Casablanca, Guerra dos Mundos e Inferno de Dante muitos anos antes da editora Abril lança-las por aqui, só pelo prazer de poder ler essas adaptações.

O fim das publicações Disney pela editora Abril foi um baque inesperado e assustador para todos que, como eu, tem essa paixão pela turma de Patópolis. Finalmente tínhamos lançamentos de material em capa dura, com qualidade superior e uma enxurrada de novidades no mercado, mas que, subitamente, desapareceram, deixando um ar “fim de festa antecipado”. 

Felizmente a entrada da Culturama veio nos salvar do infortúnio e, com o passar do tempo, mais e mais histórias nos tem chegado com uma qualidade fantástica na produção que nos indica o esmero da editora pelo material que está produzindo. A equipe escolhida também traz muitas pessoas fantásticas (algumas que tenho a alegria e o prazer de conhecer pessoalmente) que certamente tem tudo para nos garantir muitas alegrias ainda.

Deixo aqui meus votos de muito sucesso para a Culturama e que essa parceria seja próspera e frutífera.

 

Texto por: Claudio Jurischka